terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A importância do mestre para a nossa Bodhicitta


É importante lembrar que no Budismo Tibetano uma grande ênfase é dada à importância do mestre ou lama. Tal ênfase ocorre porque a razão pela qual seguimos a tradição do Buddhadharma é que estamos tentando praticar os ensinamentos de Buddha da maneira autêntica, de forma que possamos atingir o mesmo despertar insuperável quanto o próprio Buddha.

Nossa intenção não é somente atingir o mesmo despertar, mas também ser de completo benefício para os outros seres até que o samsara, ou a existência cíclica, esteja esvaziado. Tal intenção, chamada Bodhicitta, ou mente do despertar, é a base de nosso caminho. Para que sejamos capazes de atingir este despertar que buscamos, a fonte de nosso Dharma, a fonte dos ensinamentos que recebemos e praticamos precisa ser livre de qualquer aflição mental e suas causas. É preciso que tal fonte possua o resultado, as qualidades da plena realização que queremos obter.

O caminho começa com a tomada de refúgio com tal pessoa, e então o caminho consiste em uma combinação entre nosso próprio esforço, nossa própria resolução, nossa própria Bodhicitta e a orientação que recebemos de nosso mestre. Esta combinação produz o resultado do despertar. Sem todas estas condições presentes, sem um mestre, se tentarmos achar o caminho por conta própria, é improvável que tenhamos sucesso.

A ignorância é a causa da existência cíclica, ou samsara. Fundamentalmente, a ignorância é confundir aquilo que não é um "Eu" como sendo um "Eu", e então nomear aquilo que não é nada além de nós mesmos como sendo outro. Na base dessa confusão do "Eu" e do outro, nós geramos apego, aversão, apatia, e assim por diante. Nós somos muito parecidos com alguém que está profundamente adormecido e incapaz de acordar de um sonho ruim, mesmo querendo fazê-lo. Nós simplesmente precisamos que alguém venha nos acordar.

Uma outra forma de entender é ver isso como o processo do caminho como o crescimento de uma árvore ou uma flor.Para que o crescimento aconteça, é preciso a semente apropriada, mas a semente por si só não é suficiente. Precisamos das condições adequadas nas quais tal planta possa se desenvolver – o solo adequado, água e a luz do sol. A prática do Dharma e a realização do despertar são assim, uma atuação da reunião de várias condições interdependentes.As fontes de refúgio na tradição budista são o Buddha (o desperto), o Dharma (seus ensinamentos), e a Sangha (a comunidade de praticantes e mestres). Tomar refúgio neles significa considerar o Buddha como um mestre, um exemplo do despertar; considerar o Dharma como o caminho do; e considerar a Sangha como guia e companhia no caminho.

Um Buddha é definido como alguém que erradicou por completo todas as aflições mentais, juntamente com suas causas e é, portanto, totalmente liberto e desperto. Como resultado, o Buddha é completamente livre de medos. Do seu próprio ponto de vista, isso ocorreu por ele ter erradicado tudo aquilo que havia para ser erradicado e por ter realizado tudo aquilo que havia para ser realizado. Do ponto de vista de outros, o Buddha é também livre de qualquer medo em proclamar a natureza do caminho, assim como em proclamar os impedimentos no caminho e suas dissoluções.

Uma vez que o Buddha é completamente livre de qualquer medo ou hesitação, ele é o supremo, autêntico e completo professor.Ainda assim, o Buddha não pode simplesmente remover com as mãos o sofrimento de todos os seres sencientes, nem pode literalmente transferir ou dar a quem quer que seja as suas qualidades ou realizações. A atividade principal do Buddha é então ensinar – ensinar a natureza de todas as coisas, ensinar métodos através dos quais nós remover todas as falhas que nos afligem e apresentar um mapa do caminho e uma compreensão do destino e da meta ao qual o caminho conduz.

Então, tais ensinamentos conhecidos como Dharma, chamados de Saddharma ou Dharma genuíno, consistem em como lidar com todos os problemas que surgem no caminho. Tais ensinamentos consistem em remédios e soluções específicos para problemas específicos, tais como os remédios para certos tipos de aflições mentais, e como proceder quando tais e tais tipos de pensamentos surgem, e assim por diante. De maneira geral, uma vez que nós sofremos basicamente de três principais tipos de aflições mentais – apego, aversão e ignorância – há três tipos de ensinamentos: o Vinaya (disciplina), os Sutras (os discursos) e o Abhidharma.

Para que possamos realmente praticar tais ensinamentos, para de fato praticar o Dharma, nós precisamos ter a orientação de um amigo espiritual.Ainda que o Buddha pareça ter passado ao Parinirvana há 2500 anos, o Dharma ainda se faz presente através de sua atividade compassiva. Se não houvesse ninguém para nos indicar o caminho, ninguém para nos introduzir no caminho e nos apresentar o Dharma, não teríamos acesso verdadeiro a ele. Então, não só precisamos do Buddha e do Dharma, mas necessitamos também da Sangha, a comunidade de praticantes. E entre todos os membros da Sangha, o professor ao qual chamamos de lama ou guru é especialmente importante. Como é dito nos ensinamentos Vajrayana: “o guru é o Buddha, o guru é o Dharma, o guru é o glorioso Dodje Tchang (Vajradhara)”, porque é o guru que realiza todas as coisas. Isso significa que o guru em sua forma física, em seu corpo, é o mais importante membro da Sangha, pois ele é a corporificação da Sangha. A própria fala do guru que é a essência do Dharma. Desse modo, ele é a corporificação do Dharma. A mente do guru, sendo ele verdadeiramente qualificado, é como a mente do Buddha.

Fonte: http://www.kttbrasil.org/v2/index.php?option=com_content&view=article&id=61&Itemid=91

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Lambuze-se!

Dica de poema enviada pela linda amiga Rê Van Boekel, lambuzem-se!


Lambuze-se
de Mário Quintana


"Não coma a vida com garfo e faca.Lambuze-se!Muita gente guarda a vida para o futuro.Mesmo que a vida esteja na geladeira, se você não a viver, ela se deteriorará.

É por isso que tantas pessoas se sentem emboloradas na meia-idade.Elas guardam a vida, não se entregam ao amor, ao trabalho, não ousam,não vão em frente.

Não deixe sua vida ficar muito séria, saboreie tudo o que conseguir:as derrotas e as vitórias, a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz você precisaaprender a gostar de si, a cuidar de si e, principalmente,a gostar de quem também gosta de você.

O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do Jardim paraque elas venham até você.'

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

o amor pela vida não tem tempo... ame hoje, ame tudo, ame muito!

Escrevi este texto há um ano e meio, e tinha ficado meio perdido no email. Para recuperá-lo, cá está ele de volta. :)

O amor pela vida não tem tempo... ame hoje, ame tudo, ame muito!

by Jun 01, 2007

Hoje tive meu primeiro contato com a fragilidade e magnitude da vida humana.
Hoje tive a minha primeira perda humana inesperada, perda de uma amiga querida, uma vida em curso, que, pela força da vida, teve seu caminho alterado, mudado e colocado em outra dimensão... Esta não foi, no entanto, a primeira perda de alguém quem eu amava. A vida já me separou de meus dois avôs, os dois eu amava demais, especiais.

Tive a sorte de te-los como meus avôs, cada um do seu jeito. Um deles, meu vô materno, Athayde Pereira de Andrade, um cara lindo, loiro, de olhos azuis, que aos 37 anos de idade ficou cego e paralitico, e, apesar do médico ter lhe dado apenas mais tres meses de vida, por causa de uma "doença fatal", teimou em viver e só morreu aos 80 anos... extretamente lúcido, contando histórias dos tempos em que andava livre pelas terras de minas gerias... Estas histórias eu amava.

Meu vô Thayde, cinéfilo, que vivia levando minha avó para o escurinho do cinema, depois de perceber que habitaria o escuro por todos os dias que viriam, e foram muitos os dias, não abandonou o mundo. Ao contrário. Virou rádio amador, me lembro com alegria das tardes em que, ainda bem criança, chegava a casa dos meus avós para o almoço do domingo e só de ouvir minha voz, meu vô me chamava em sua oficina, para que o ajudasse a manipular aquela aparelhagem gigantesca, que mais me lembrava a sala de justiça do desenho animado, cheia de botões e microfones.
Foi ali, sentadinha ao lado do meu avô. no quartinho dos fundos da casa, apelidada de oficina do vovô, que eu aprendi o valor das palavras para o mundo, da comunicação. Ouvia as histórias que meu avô contava e, ali, tão cega quanto ele, naquele quartinho escuro e ainda tão nova de bagagem visual, que eu enxerguei Minas Gerais sem nunca ter estado lá ate então, vi as beatas das igrejas, vi as ruas enlamaçadas de chuva, as árvores carregadas de fruta, os bordéis, e até mesmo a história que lembro até hoje, a do julgamento de um homem de rua, que, após ser xingado diariamente por um grupo de meninos mimado, jogou um guarda-chuva contra um deles, cegando-o, sem intenção. No seu julgamento,o advogado deste homem de rua apenas repetia, insistentemente, a frase: "senhor promotor, senhores jurados, senhor juiz", durante horas, irritando a todos...(vovô me contava esta história interpretando cada personagem, cheio de dramaticidade... e eu me divertia) Até que, concluindo sua defesa, o advogado argumentou: "Se eu o irritei repetindo esta frase inocente por apenas algumas horas, o quanto estes meninos não irritaram o pobre homem repetindo todo dia, diariamente, xingamentos ofensivos contra ele, pelo simples fato dele ser pobre e morar na rua?" O juiz o absolveu. Meu avô contava esta história sempre. E eu ouvia, toda vez, com a atenção de quem nunca a tinha escutado, porque sabia que vovô Thayde sempre acrescentava um detalhe novo. E assim foram os anos até o dia em que fiz 15 anos e a gente se despediu. Ele se foi, se desprendeu da casquinha humana cega e paralitica na qual viveu por mais de quarenta anos e vôou para longe, deixando em mim uma imensa saudade e a paixão pelas histórias humanas.
Uma vez perguntei ao vovô se ele gostaria de voltar a enxergar. Ele disse que nao. Que mesmo que houvesse um avanço milagroso na medicina, que o fizesse voltar a ter visão, ele optaria por não mais enxergar; Eu não entendi aquela resposta, questionei, indignada. E ele, com sua simplicidade poética e franciscana, respondeu, como se estivesse me mostrando o obvio: "Manoela, eu já tenho você na minha imaginação, tenho sua mãe, tenho toda a família, para cada um eu fiz um traço, um rosto. Tenho sua vó eternamente linda, no alto dos seus 26 anos e é assim que quero levar vocês comigo. É assim que amo vocês". Eu compreendi ali, que a vida sempre encontra um caminho de trazer a beleza à tona, e que para enxergar isso, não basta ter olhos, é preciso ter visão, e esta visão é tangivel até mesmo para os cegos..
Saudade do meu avô, este homem tão especial, meu primeiro melhor amigo, meu companheiro de viagens imaginárias, um menino eterno. Agradeço a vida, por ter tido 15 anos de convivência com esta alma tão iluminada.
Mas a vida me foi generosa demais e me brindou, ainda, com o meu vô Cesar, vovô José de Almeida Cesar, tão quietinho, o oposto do vo Thayde, que falava e tinha verdadeira paixão pelas palavras, vovô Cesar era calminho, na dele, mas, ao mesmo tempo, tão carinhoso, tão acolhedor, tão querido, e não menos travesso. Tão travesso que foi embora sem me deixar dizer adeus, e nem agradecer por tudo que ele fez por mim, a primeira neta, a neta que ele acolheu com tanto zelo, desde sempre... Sem deixar ninguém interromper seu curso, vovô foi embora depois de dançar na sala de casa, ao som de um CD de tango que ganhou ao comprar a revista caras, uma de suas coleções.. e ele se foi fazendo o que mais gostava de fazer: indo comprar pão para o lanche da tarde. O pão quentinho, que, em sonho, um mês depois de partir, vovô me disse saborear diariamente, lá em cima, onde imagino que faça lanches deliciosos, todos os dias, na companhia de Deus..
Vovô Cesar adorava saber que a familia estava bem, bem alimentada, bem aconchegada, e quase não falava, como se não quisesse perturbar a paz que tanto prezava. Descendente de índios, vovô Cesar veio do Norte para Niterói com a missão de trazer ao mundo, ao lado de vovó Edna, quatro filhos, que trariam ao mundo oito netos (com mais um a caminho.. :) ) Vovô era chegado a tecnologias e pequenas novidades, adorava colecionar coisinhas, recortava selos do jornal e ansiava em competar os pontos que o dariam direito a ganhar mais uma coleção de livros de inglês - ele tinha duzias de coleções de livros de idiomas... ou então relógios, despertadores, ferramentas, albuns de retrato, máquinas fotograficas - estas, então, ele tinha uma nova a cada ano.. foi dele a primeira maquina que vi do tipo polaroid, que imprimia a foto na hora. E é dele também a Super 8 que herdei..
Nos ultimos anos de vida, Vovô Cesar deu para tirar fotos de coisa nenhuma.. quando a gente levava os filmes para revelar, surpresa: era um tal de cantos do jardim, pedaços do sofá. da grama, de mesas de plástico sem nada em cima.... e depois ele explicava, rindo: "é que eu bem vi um homemzinho sentado ali no jardim, tiro estas fotos para ver se consigo mostrar eles pra vc", ele me dizia, rindo rindo.. uma risadinha tipica dele, de menino quando esta fazendo arte. Mais típico do vovô Cesar do que sua risadinha era seu cumprimento com a gente, um aperto de dedinhos, um gesto carinhoso, quando ele estendia a mão para a gente e, ao inves de dar um aperto de maos, apenas tocava a ponta dos dedos nas pontas dos nossos dedinhos, fazendo um barulhinho engraçado.

Nunca tinha escrito sobre meus avôs. O amor que sinto por eles é tão grande e essencial em mim que acho que nunca precisei externar isso antes. Mas hoje, ao ver minha amiga querida Laura ir embora, senti um amor tão grande pela vida, uma alegria profunda de estar no mundo e de ter tido a chance de conhecer esta minha amiga, de ter ouvido suas gargalhadas escancaradas enquanto me atendia ( ela era, além de amiga, minha dentista) suas piadas quase pornograficas ditas sem pudores, porque esta minha amiga foi sempre tão ocupada em ser feliz e em viver, que pudores e moralismos nunca ocuparam o mesmo espaço que ela. Vendo ali, os amigos reunidos e tocando violão, tocando Bob Marley para ela, que, deitada, ainda exibia o belo sorriso que fazia de si mesma seu melhor cartão de visitas.

Chorei muito. Mas me senti tão quentinha ali, tão acolhida por ela, pela vida, pela música, pelos abraços, que saí de lá triste, sim, mas também feliz, feliz pela certeza de que a vida vale a pena ser vivida. Senti um amor proprio muito verdadeiro. Hoje, depois de tudo isso, de ir ainda ao trabalho, de estar com amigos, ao chegar em casa, antes do banho, me olhei e pensei o quanto eu também me amo.

O quanto amo a vida que mora em mim, o quanto amo cada pelinho, cabelo, unha, que crescem em mim a cada dia. Amo cada pentelho que nasce, porque ele me mostra que estou viva, que a vida está pulsando e me lembrando de vive-la. Amo meu rosto, meu corpo, cada célula, meu sangue correndo nas veias,,, este amor nao depende de eu estar com o corpo em forma, de eu ter o rosto irretocável ou o cabelo da Gisele Bundchen, de eu ter um peito firme e durinho, nada disso... Este amor proprio vem da certeza de que neste exato momento estou na Terra, viva, assim como cada um que eu amo que esta por aqui, e amo a possibilidade de, ao terminar este post, pegar o telefone, ligar para os meus pais, para os meus tios e amigos e amores e dizer que estou viva e pronta para estar com eles, indenpendente de qualquer outra coisa, de erros ou mágoas, porque, tudo isso é pequeno... grande é a vida. grande é a morte, também.

grande é o milagre de nos conhecermos e nos amarmos, pelo tempo que durar a vida, que seja inteiro, que seja vivo. eu amo vocês, amo as pessoas que cruzam ou cruzaram meu caminho e me fizeram estar aqui hoje, eu amo até os meus ex, eu amo até mesmo as atuais dos meus ex, porque elas cuidam de quem já cuidou de mim, e a vida segue seu fluxo...
a vida tem que fluir,que sejamos sabios de não interromper o fluxo das coisas antes que o milagre da vida e da morte o façam por nós...

Como diz um amigo que eu amo tanto, o verbo da vida é deixar o amor fluir... para todas as direções. em especial, para dentro de si, amém, que meus amores, todos, tenham paz e luz.
Que meu novo irmao/irmã tenha luz em sua chegada ao nosso planeta, que se sinta acolhido e amado por este universo tão rico, junto ao texto, deixo esta foto de Vovó Edna e Olivinha, avó e neta, celebrando o grande milagre da vida: o amor.

amo vcs!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Au Ball Masqué


quarta-feira, 29 de outubro de 2008







Quando eu era bem pequena, uns cinco ou seis anos, e brincava no sítio em Varzea das Moças, eu tinha um amigo invisível que brincava comigo. A gente passava horas sentados na beira do riozinho que cortava o terreno, pescando girinos com latinha de leite condensado. O nome deste meu companheiro inseparável era RAFAEL.

O que eu não imaginava é que este anjo lindo um dia se materializaria na minha vida, e me faria tão feliz como nunca fui.

Obrigada meu amor, por existir. Te amo. E com você, me amo a cada dia mais.

Que venha nossa vida juntos, estou aqui para acolhê-la.

Mais do que o anel, nossa aliança é nossa cumplicidade, nosso cuidado, nosso amor....


Obrigada vida!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mantra, compaixão e vacuidade



Mahasiddha Padampa Sangye, iogue indiano que ensinou no Tibet no século XII.
Não há necessidade de um mala [rosário] que não seja usado para recitação de mantra.
Não há necessidade de recitação de mantra que não tenha relação com uma deidade.
Não há necessidade de uma deidade que não seja una com a compaixão.
Não há necessidade de compaixão que não se conecte com a vacuidade.

Padampa Sangye (séc. XII)
"Lion of Siddhas"

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A prática é hoje

Amanhã não está garantido

Para aqueles que temem o nascimento e a morte, essa é uma prática para hoje.Zurchung Sherab Trakpa (1014-1074)"80 Capítulos de Instruções Pessoais"


Há duas grandes fontes de medo no samsara, o momento do nascimento e o momento da morte. O sofrimento e medo vivenciados nessas duas ocasiões terão que ser encarados quando estamos completamente sozinhos -- não há ninguém que pode realmente nos ajudar nessa hora.A única coisa que pode aliviar esses sofrimentos é a prática do Dharma supremo. Nada mais pode fazer isso. Mas nós não sabemos como praticar: só adquirimos esperteza para fazer coisas mundanas.

Desde muito cedo, aprendemos como tornar as coisas confortáveis para nós, evitando o desconforto. Esse tipo de atitude resultou em um grau elevado de realização material. Podemos voar pelos céus em aviões e tudo mais. Fizemos da vida algo fácil, do ponto de vista material.
Mas na verdade somos como crianças perseguindo um arco-íris. Essas coisas não nos ajudam de verdade.


Devemos voltar nossas mentes para o Dharma, refletindo sobre esses sofrimentos do nascimento e morte. Ao fazer isso, entramos no caminho, indo primeiro através das práticas preliminares, depois prosseguindo para a prática principal.Ao praticarmos, iremos gradualmente saborear o gosto verdadeiro do que significa se tornar desiludido com as coisas mundanas e progredir no caminho.

Isso é algo que vem com a experiência.Mas não devemos adiar, pensando: "vou fazer essa prática amanhã, ou ano que vem...". Se recebemos um ensinamento hoje, é hoje que devemos começar a colocá-lo em prática, porque só depois do momento que plantamos de verdade uma semente é que ela irá germinar.


Dilgo Khyentse Rinpoche (1910-1991)"Zurchungpa's Testament"

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eu e você...


É manhã em santa e caetano canta
que a terra cora em nosso castelo:
uma varanda, uma rede e um chinelo.
O som tão bom vem do teu coração
e inspira a batida do meu violão
e embala o sono e me veste de
você e eu

acordo feliz
em teu braço, aprendiz

sou assim, você quis
me trazer neste bonde
onde me fiz e só nós saberemos onde aterrissar

um chalé japonês, um apê francês
o mar, Paraty, Mauá, para mim
e assim encontrar nosso ponto de encontro

para ser para sempre um par,
um casal a se deixar levar
neste novo país de ladeiras, cinema, paineiras
e acarajé

vamos lá ver ver qual é?
Descalça, tiro o tênis do teu pé,
enquanto a baiana encanta o gringo de quinta a domingo,
nossa cama faz festa ao som da seresta
do bar ou do ravi shankar
amor, vamos fazer um chá?
cortar o mamão, pôr um grão
engolir, sentir na saliva,onde o poeta mata sua sede,
o nosso amor, vem aqui, pertinho,
na rede
que neste balanço foi-se um ano
e nem deu pro começo da vida

que quero com você levar :)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

I believe in Yoga...


Comecei a fazer Yoga e nunca mais minha vida foi a mesma. E isso não é papo clichê não. Ou até é, vai... mas fazer o quê? É verdade. Quem se aventura na Yoga sabe que o exercício vai muito além de colocar um calcanhar no canto da virilha oposta enquanto equilibra-se pensando - ou melhor, estando atenta - sobre o ar que entra e no ar que sai., o ar que entra e o ar que sai, o ar...

Aprender que prestar atenção neste ar que tá aí, ó, solto no mundo todo, pode deixar você tão livre quanto ele foi o melhor presente que aceitei dos orientais.
Nem tão adepto, mas sujeito a experimentações, Rafael montou e fotografou o cantinho zen aqui de casa. A fotinho, com cara de catálogo de lojas de móvel asiático, é dele. Não é linda? :)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Generosidade é fonte e origem da felicidade mundana


Débeis em compaixão e com mentes ásperas e rudes,Seres buscam ganho apenas para si; Mesmo assim, as riquezas que eles perseguem, a cura para seus males,São frutos exclusivos da generosidade.


Na verdade, é através de atos de generosidade que eles rapidamente encontram seres nobres.Então, seccionam o fluxo de nascimento e morte,E partem para a paz, devido a tal causa.Chandrakirti (600 d.C.)Introdução ao Caminho do Meio 1 11-12

Mesmo para pessoas negligentes em compaixão, cuja disposição é extremamente rude, que se movem apenas pelo próprio interesse, o alcance da satisfação material -- em outras palavras, o alívio para sua porção de sofrimento -- vem unicamente através do resultado cármico da generosidade. A generosidade é então a fonte e origem da felicidade mundana.

Além disso, mesmo se elas não têm compaixão, pessoas generosas irão -- como resultado de sua generosidade -- rapidamente se ver na presença de seres superiores. Faz parte da natureza das coisas o fato de que seres sublimes aparecem perto de pessoas generosas.Elas, por sua vez, ao encontrá-los e receber os ensinamentos, dão as costas ao samsara e meditam no caminho. Fazendo isso, elas cortam totalmente o fluxo de nascimento e morte no samsara. Com base nesses encontros, elas progridem em direção à paz da liberação.

Mipham Rinpoche (1846-1912)em
"Introduction to the Middle Way"Leia mais em:- Generosidade- Generosidade na prática espiritual

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A iluminação de Buddha

Foto LINDA que ganhei de presente do querido amigo fotógrafo Léo Rozário, no dia em que fomos ao Angakatu SPA, do Parador Maritacas, fazer sessão de fotos do lugar.


Achei isso no blog do Nirvana, e gostei...

Que a minha prece seja, não para ser protegido dos perigos, mas para não ter medo de enfrentá-los.

Que a minha prece seja, não para acalmar a dor, mas para que o coração a conquiste. Permita que na batalha da vida não procure aliados, mas as minhas próprias forças.

Permita que não implore no meu medo, ansioso por ser salvo, mas que aguarde a paciência para conquistar a minha liberdade.

Rabindranath Tagore.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Inspirar o verde

Semana passada foi meu aniversário e, como parte das comemorações, subi a serra de Visconde de Mauá. Ê delícia...

A viagem, linda..., foi parte do presente de anversário que meu marido me deu e enquanto subíamos aquela serrinha, que é tão minha amiga e há anos eu não reencontrava, uma felicidade explodia dentro de mim... Não só porque partíamos para um chalé lindo que reservamos, mas porque viajar para Mauá, para mim, não é só vajar para Mauá. É reencontrar a cidade que mais me lembra a época em que eu era apenas uma garotinha, a correr pelo mato... O cheiro de terra molhada de chuva no fim da tarde.. hummmm!!!!

Pois, o dia estava anoitecendo enquanto subíamos e uma lua imensa e redonda lua cheia nos saudava com seu brilho, como quem sabia iluminar o caminho de um amor espiritual. Não apenas o amor do casal que desbravava as nuvens de terra, mas, em especial, o amor que sinto por esta pequena cidadezinha mágica....

E por que estou falando isso? Porque, a cada curva, em minha cabeça iam sendo costurados versos de um poema colorido, como se as mil vozes que adoram tagarelar tolices dentro de mim, de repente se calasse, numa reverência institiva àquela terra que eu estava prestes a rever. Enquanto meu corpo, sentadinho no banco, contentava-se em respirar o ar fresco que vinha da janela, ao som de "eu sei que vou te amar" na voz de Caetano, meus outros seis pulavam por entre a "franja da encosta" que acenava para a gente com suas folhas, prateadas pela luz da noite.

Aquele momento me deu tanta vontade de ter um caderninho de anotações, mas eu estava sem meu diário. E aí veio a vontade de ter um blog, um diário virtual, capaz de me acompanhar em qualquer lugar que eu vá - desde que eu tenha acesso a internet. Tudo bem, vamos combinar que ter acesso à internet em Mauá era a última coisa que eu gostaria... E ainda bem que eu não acessei nada além de amor por lá. Porque aqui estou para contar das viagens! :)